COMUNICAÇÃO DE MÃO DUPLA – Tema abordado por Eduardo Rocha
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Recebemos por email esta materia e achamos muito interessante, confiram:
Mais do que apenas discutir os assuntos relacionados ao dia a dia da empresa, as redes sociais corporativas estimulam os funcionários a compartilhar experiências e, é claro, manifestar suas ideias
Década de 60. Guerra Fria. O mundo assistia a duas potências travarem uma luta que, anos mais tarde, entre outras consequências, fomentaria o desenvolvimento de uma das mais poderosas ferramentas já vistas: a internet. Desenvolvido em função de pesquisas militares, hoje esse recurso se tornou indispensável para diversas ações do nosso dia a dia. A internet expandiu nosso poder de alcance, e um dos aspectos mais revolucionados por essa força globalizadora foi a forma como nos comunicamos uns com os outros.
A cada dia, redes sociais, como o Orkut, o Facebook e o Twitter, ganham novos usuários. O poder de aproximar pessoas com interesses semelhantes é inegável. Mas, agora, tais redes se mostraram detentoras de um poderoso recurso: a difusão de informações. Não é à toa que essa tendência, que antes demonstrava sinais de ser mais uma moda juvenil, começou a ganhar importância no mundo corporativo. Isso é representado pelo fato de grandes empresas aderirem a essa tendência, para criar um canal mais interativo com seus colaboradores.
É o caso da Natura. Com o Natura Conecta, a empresa mantém uma comunidade com mais de 8 mil membros que une pessoas e integra grupos que se relacionam com a organização. “O Natura Conecta tem o objetivo de abrigar todas as ações relacionadas ao processo de gestão de relacionamentos, como a realização de wikishops*, palestras virtuais ou transmissão de palestras presenciais e a construção coletiva do relatório anual Natura. Além disso, o Conecta oferece a possibilidade de os públicos se integrarem em comunidades de interesse comum e participarem das ações de engajamento, organizadas especificamente para cada público”, explica Estelita Thiele, ouvidora da Natura.
De acordo com Estelita, o canal apresenta grande potencial de comunicação e disseminação de informações. A página do Conecta reside numa plataforma do NING, uma ferramenta aberta, gratuita e fácil de usar. Sua operação tem alta disponibilidade e expansibilidade, sendo que o crescimento da comunidade não está vinculado ao desenvolvimento de ferramentas específicas, nem mesmo depende de operações complexas, já que é operado pelo formato “member get member”.
Já a Isban, empresa do Grupo Santander Brasil, também investiu na criação de uma rede social. Em agosto de 2008, a empresa realizou uma pesquisa focus group com alguns funcionários para aprimorar as diretrizes de sua comunicação interna e, assim, lançar canais de comunicação aderentes às necessidades das pessoas na empresa. Um dos pontos mais levantados foi a comunicação como via “de mão dupla”, ou seja, as pessoas queriam não apenas absorver os comunicados institucionais, mas também colaborar com a disseminação das informações e também com a construção de um melhor clima. “Nosso objetivo foi atingido. Hoje, em menos de dois anos, temos canais a cada dia mais consolidados e presentes na cultura das pessoas e de suas rotinas”, explica Katia Regina Bulgarelli, superintendente de RH da Isban.
Kátia destaca que, como resultado dessa iniciativa, em 1º de março deste ano nasceu o TI-Conecta. Em apenas um mês, mais de 50% dos funcionários já criaram seu perfil e comunidades na rede, que abordam temas variados, desde times de futebol até áreas e projetos da própria empresa.
Ainda de acordo com Kátia, a intenção é que o TI-Conecta entre na cultura das pessoas, assim como os outros canais já entraram. “Com a criação do TI-Conecta, nossa intenção é aumentar ainda mais a confiança das pessoas na comunicação interna e, assim, estimular a liberdade que todos possuem de se comunicar. Sentimos que o principal retorno é ter uma ferramenta que auxilia no tratamento dos temas do trabalho de maneira mais descontraída, divertida e, apesar de monitorada, mais livre”.
Seguindo o caminho traçado pela internet e pelas primeiras redes sociais, o networking interno promete se tornar um hábito enraizado na cultura das empresas, auxiliando na promoção de ações de endomarketing e na geração de ideias. Mais do que isso, ele promete criar uma interação real entre as diversas áreas de uma mesma organização.
(*) No contexto da web, o termo “wiki” significa um espaço colaborativo onde todos podem contribuir rapidamente com conteúdos e discussões.